sexta-feira, 3 de março de 2017

Seminário de Mestrado "Os 3 venenos na Via do Dao e no Dharma do Buda"

"Os 3 venenos na Via do Dao e no Dharma do Buda"

Seminário de Mestrado de Ciência das Religiões

2 de Março 2017 das 18h às 19h30



Oradores:
 José Barreno e António E.R. Faria

Moderador: 
Henrique Machado Jorge

Organização: Linha de Investigação "Cosmovisões da Ásia"
 
ULHT (Universidade Lusófona)
 



Os 3 Venenos na Via do Dao

澄其心而神自清。 
Cheng qi xin, er shen zi qing .
Clareia a mente, o espirito brilhará.

自然六慾不生,三毒消滅。 
Zi ran liu yu bu sheng , san du xiao mie .
Espontaneamente
Os seis desejos não ocorrerão
Os três venenos serão eliminados

Lao Jun inTai Shang Lao Jun Shuo Chang Qing Jing Miao Jing, “Maravilhoso Clássico da Constância da Pureza e da Tranquilidade”, tradução José Barreno.


Os Três Venenos San Du 三毒 são referidos no Tai Shang Lao Jun Shuo Chang Qing Jing Miao Jing, Maravilhoso Clássico da Constância da Pureza e da Tranquilidade (adiante referido como Qing Jing Jing), um dos principais Clássicos Daoistas. O Qing Jing Jing é um texto Daoista que se torna mais popular a partir da Dinastia Song, e é usado nomeadamente na Liturgia e no Neidan (Alquimia Interna), sendo um texto fulcral em QuanZhen.
          Para o praticante, os Três Venenos, San Du 三毒, Mente Xin, Forma Xíng e Coisas Wù, surgem como obstáculos à prática, mas também como uma revelação: o que produz os desejos são a mente, a forma e as coisas.
Assim, observar não-mente (Wu Xin 無心), não-forma (Wu Xing 無形) e não-coisa (Wu Wu 無物), corresponde a um estado apofático de libertação de todas as imagens. Libertando-se de todos os pensamentos, ideias e objectos, é desta maneira possível ter a percepção de Dao. 
JB

 

Os 3 Venenos no Dharma do Buda

«Eu encontrei a pura ambrosia do Dharma sublime e profundo; paz completa; livre de elaboração; luminosa; a essência não-composta. Esta é a verdade universal que é livre de toda confusão e de toda a insatisfação.[1]
Siddharta Gautama

Porque intentamos a paz-felicidade, pretendemos a Ocidente gerar pessoas e sociedades mais justas, fundamentalmente pela transformação do mundo à nossa volta.
No entanto, desde a era industrial que o tentamos fazer através da abundância material, da dominação da natureza e da “liberdade” pessoal sem limites.
Mas, tal como seria de esperar, os resultados estão à vista de todos.
Como exemplo, e no que toca à paz-felicidade, estima-se que durante o século XX terá havido não mais do que alguns dias (talvez uma semana) em que não houve guerra num ponto qualquer do planeta.
Assim, parece-nos que será prioritário – porque absolutamente necessário – reconhecer e trabalhar a erradicação dos factores mentais negativos[2], que são o motor das nossas reações compulsivas e obsessivas, da nossa confusão e incapacidade e que se constituem aparentemente como as nossas “características pessoais”.
Por isso, antes de tudo o mais, teremos de falar em transformação e, consequentemente, em “meditação”.
O objectivo: desenvolver a ética, a compaixão e a sabedoria para que a paz-felicidade seja algo mais do que um arrazoado inoperante.
Por tudo isto, os “3 venenos” (e a sua institucionalização) são talvez a “questão nuclear”.
AF




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